Comportamento que valoriza o candidato
Consultores recomendam seriedade, objetividade, equilíbrio emocional e desaconselham apresentação de imagem superestimada
O candidato a emprego que entra em uma sala de entrevistas é como um vendedor: não pode fazer propaganda enganosa nem subvalorizar o seu 'produto'. Segundo o presidente do Grupo Catho, Thomas Case, o entrevistado deve ter a consciência de que está vendendo o seu bem mais valioso: sua mão-de-obra. Case afirma que a meta do candidato é conquistar a confiança do entrevistador: 'Ele deve ser sério, objetivo, direto e, principalmente, não fugir de qualquer assunto abordado'.
O gerente de Seleção e Treinamento do Grupo Machline, Maurício Ignácio, tem uma boa visão do processo de entrevistas, pois, além de coordenar os entrevistadores da empresa, já esteve do outro lado da mesa, como pretendente a uma vaga. Segundo ele, os candidatos devem procurar sempre criar uma situação de empatia com o entrevistador, embora ele ressalte que este último também deve contribuir para o bom clima da conversa.
Ignácio diz que muitos entrevistados pecam por querer demonstrar que dominam muito as técnicas do ramo em que vão trabalhar. Ele avisa que os conhecimentos técnicos são medidos em outras etapas da seleção (provas, testes, currículos, etc). Na entrevista, o que está sendo avaliada é a personalidade do candidato, sua capacidade de trabalhar em equipe, comunicação e tolerância. Mesmo que o candidato tenha essas características, ele deve, principalmente, controlar a ansiedade, natural nessas situações. 'Às vezes, o nervosismo põe tudo a perder', diz Ignácio.
Se na hora da entrevista, for pedido ao candidato que faça algum teste aparentemente sem sentido, ele deve cumpri-lo com paciência. A sua irritabilidade está sendo testada. 'Os empregadores procuram pessoas que façam com boa vontade mesmo os serviços mais chatos', diz o gerente de Promoção e Marketing da Regarder Ótica, Marco Antônio Gonçalves, com muita experiência no processo de seleção em sua antiga empresa. 'As relações de trabalho, nos dias de hoje, exigem pessoas com equilíbrio emocional e que não tenham problemas de relacionamento com seus colegas', afirma.
A secretária Márcia Perussi, que já participou de várias entrevistas como candidata, diz ser uma pessoa extrovertida, 'mas sempre procurei perceber a característica do entrevistador para saber que postura adotar'. Ela afirma, no entanto, que não se deve 'disfarçar' na hora de concorrer a um emprego. Nada de muitas jóias ou excesso de maquiagem. 'O importante é ser você mesma e ter sensibilidade para ouvir e falar na hora certa.'
Lauro Aires
Fonte: Catho
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