Até roupa conta na hora de procurar emprego
Traje escuro, cabelo curto, ausência de barba e pouca maquiagem aumentam as chances dos candidatos
Se você conhecesse dois banqueiros gêmeos, um estivesse vestido com terno azul-marinho e outro de terno bege, para qual deles confiaria seu dinheiro? A maior parte das pessoas entregaria as suadas economias para o de terno azul-marinho. É o que mostra pesquisa sobre o figurino ideal do executivo, especialmente aquele que procura emprego, realizada pelo Grupo Catho, especializado em colocação de executivos.Foram ouvidas 1.356 pessoas.
O azul escuro dá confiabilidade ao profissional - cores escuras de modo geral -, segundo 67% dos ouvidos. Assim como o sóbrio tailleur, o conjunto de saia e paletó que se transformou numa espécie de uniforme feminino no mundo dos negócios. É o terno para mulheres, preferido por 62,99% dos executivos que entrevistam candidatas.
Não há explicação lógica para as preferências, lembra o fundador da Catho, Thomas Case. Impressões são impressões, e a experiência mostra que muitas vezes elas são mais determinantes para o sucesso do candidato do que seu currículo.
O bom senso deve imperar nessa área, mas nem sempre é fácil. Como convencer uma mulher candidata que, mesmo se achando mais bonita e desejada pelo sexo oposto de cabelos longos, ela deve deixar essa lógica de lado quando o assunto é profissão? A Catho recomenda, sem dó: tesoura na cabeleira.
Algumas não se rendem e demoram muito a conseguir uma colocação, de acordo com Case. Os cabelos curtos para a candidata a um emprego são preferidos por 90,06% dos executivos.
A exigência de maquiagem leve é outro ponto que costuma despertar o inconformismo das mulheres _ tanto daquelas que detestam pintura no rosto como nas que adoram e por isso carregam demais. E a barba nos homens é debate que nas empresas de colocação de pessoal chega a tomar dimensões inimagináveis.
Alguns doutores e PhDs, executivos experientes, chegam ao ponto de apelar para o discurso irado: "Tenho barba há 20 anos e não vou tirar"; "Minha barba sou eu"; "Meus filhos não me reconheceriam sem barba"; "Minha mulher não me aceita sem barba" - e por aí prossegue o texto dos revoltados e convictos barbudos, conta o dono da Catho. Para tristeza deles, candidatos sem barba ou bigode têm mais chances de conseguir uma vaga, na comparação com os barbudos, segundo nada menos que 90% dos ouvidos.
"Fidel Castro mantém sua barba somente porque não está procurando emprego", diz Case. "Mas até Fidel, quando quer passar imagem confiável, opta pelo terno azul marinho." Exemplo: no recente encontro com o papa, a imagem que percorreu o planeta foi a de um sóbrio Fidel, de terno escuro, ao lado de João Paulo 2º.
Cabelo comprido nos homens, nem pensar _ é recusado por 99,7% dos entrevistadores. Nesse ponto, as exigências são democráticas e a tesoura tem que funcionar nos salões masculinos ou femininos. Mas a mulher de estilo esportivo sai perdendo num ponto, pois terá de abrir mão de suas calças compridas em entrevistas. De preferência, na vida profissional como um todo, se quiser ser considerada em promoções. Somente 6,6% preferem candidatas de calças, segundo a pesquisa da Catho. A explicação é: "machismo puro", como define Case.
"Bom senso" é o caminho, afirma. Mas em algumas ocasiões, nem isso vale, e sim regras. Numa entrevista na beira da praia, ao meio dia, no Rio de Janeiro, o candidato deve ir de terno azul-marinho, do mesmo jeito. "Ainda que o entrevistador esteja mais informal", avisa Case. Para saber por que, basta folhar as revistas de negócios do mundo inteiro, inclusive as brasileiras: ninguém está quentinho com deliciosas sopreposições de blusas de lã nos países frios, e ninguém está de bermudas nos climas equatoriais.
Culturas muitas vezes são preservadas no modo de vestir, mas com a globalização, cada vez menos aparecem em encontros políticos e de negócios.
Vide Fidel de terno, num claro sinal do impacto dos novos tempos globais.
Liliana Pinheiro
Fonte: Catho
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